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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Crianças são cruéis

    Aparentemente são uns anjinhos e perto dos pais tendem a se comportar como um. No entanto, basta uma brechinha para que os chifrinhos apareçam na cabeça delas. Muito provável que você já tenha sofrido com uma, seja na escola ou seja atualmente.
    "Ah, deixa pra lá, é criança". Já ouviu ou disse isso? Eu já e, bem, eu não acho que isso seja uma desculpa. A criança sabe muito bem que está ofendendo uma pessoa. Quer uma prova? Tenho uma prima (8 anos) de segundo grau que é o capeta miniatura. Fiquei anos sem vê-la e quando vi fui super gentil, mas ela só agredia a mim e a meu namorado. "Feio", "gordo", "magricela" e "horroroso" foram só alguns dos xingamentos que recebemos em mais de um encontro. Digo sem medo que apelei com ela. Pronto, nunca mais nos atormentou.
    O nosso sofrimento com as crianças começa quando somos criança. A maldade recebeu um nome: bullying, mas não quero discutir sobre isso. O que quero mesmo é expor situações que comprovam o quanto as crianças são cruéis. Lembra do "quem quer brincar de pega-pega põe o dedo aqui, que já vai fechar..."? Pra mim está no top 5 maldade infantil. Atravessar a quadra correndo e chegar e não poder brincar porque não deu tempo de colocar seu dedinho lá é de uma crueldade sem fim. Isso sem falar do dia do brinquedo na escola. As crianças fazem questão de levar aquele brinquedo super legal e não deixar ninguém brincar. Acaba que um dia que era pra ser divertido e integrador se torna um festival de "inveje o meu brinquedo"
    Não vou mentir falando que fui uma criança super boazinha, mas conto minha maldade depois. Antes vamos falar de um trauma de muitas pessoas: a Educação Física. Sempre fui a última a ser escolhida, quer dizer, obrigada a entrar em um time. As meninas da minha sala me odiavam, mesmo, e quando tinha queimada elas focavam em me tirar do time. Vocês também sofreram nas aulas de Ed. Física? Também tínhamos um caderno para a aula de informática e quem não levasse perdia ponto. Os cadernos eram deixados na estante da sala normal e pegávamos para ir ao laboratório. As meninas da minha sala escondiam meu caderno no meio dos do turno da tarde para que eu perdesse os pontos. Descobri isso depois de muito tempo e toda aula eu tinha que ir procurar meu caderno e colocar na pilha certa. Quem me ajudava nessa tarefa é a minha atual amiga-irmã. Isso aconteceu na 3ª série, e não venha me dizer "ah, esquece, eram crianças".
    Quer saber minha maldade? Tive um colega que era muito feio e tinha os dentes enormes e bem pra frente. A sala o apelidou de "Dente", mas antes fosse só isso. Criamos a "doença do dente" e fugíamos do Dente (vulgo Iago) para não pegarmos a tal doença. Resumindo: ele ficava sozinho sempre. Isso foi na 4ª série, mas na 5ª eu já conversava com o Dente normalmente e sua doença já havia sido erradicada. O apelido ficou esse mesmo e acho que ele não se importava, pois estava sempre sorridente.
    As demais provas de que as crianças são realmente cruéis surgirão na sua cabeça com memórias da sua infância. Bom, agora pense duas vezes antes de relevar e dizer "Ah, deixa pra lá, é criança". 


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Pela volta dos lanterninhas


    Há algum tempo tenho me irritado muito no cinema, desde os "cult" até os mais sofisticados. As pessoas estão muito sem educação, vocês não acham? E eu sei que somente com uma autoridade as pessoas se comportam melhor. Essa autoridade seria o meu tão sonhado lanterninha.
    Fui ver "Os Miseráveis" na quinta-feira (14/02) e passei muita raiva. O filme é maravilhoso e tinha tudo para ser um momento perfeito se não tivesse duas mulheres sem noção atrás de mim e do meu namorado. Sabe quando você precisa falar alguma coisa e cochicha bem baixinho para não incomodar os outros? Pois é, elas gritavam para falar uma com a outra. Mãe e filha sem educação. Sabe qual foi a pior fala delas? "Mãe, vamos embora porque não vai dar tempo de você ver sua novela". Se você não tem tempo pra ir ao cinema apreciar a arte, não vá! Sair no meio do filme é muito feio, além de ser um desperdício de dinheiro. Na verdade, a pior fala foi "Mãe, esse filme tá muito difícil, vamos embora". E se você pensa que era uma criança ou adolescente, engano seu.
    Já passei umas poucas e boas no cinema. Uma vez tinha um cara dormindo e roncando altíssimo na sala. Se quer dormir, vá para casa! Um caso cômico que tive a oportunidade de presenciar foi no cinema Usiminas Belas Artes (Belo Horizonte). Alguém abriu uma latinha de refrigerante e um cidadão estressado deu chilique falando "esse povo que vem pro cinema pra comer, vai tomar no cu!". Desnecessário, não? Sem contar que ainda estava no trailler.
    O que me irrita mais, no entanto, são as crianças e suas mães sem noção. Com certeza você já foi o escolhido para ter sua cadeira chutada o filme inteiro por uma criança pentelha. E o que a mãe faz? Fica irritada se reclamamos. Há também as mães que levam os filhos em filmes legendados, sendo que a criança nem sabe ler. O que acontecerá é óbvio. A criança ficará entediada, vai gritar, pedir pra ir embora, rir alto etc. E a mãe? Não faz nada. Sinceramente, se você é mãe e está lendo isso, dê um jeito no seu filho. E saiba que minha raiva não é com a criança, mas com você que não educa.
    Tenho certeza que você se identificou com algum desses casos e já se irritou demais no cinema também. E esqueci de citar aqueles adolescentes que dão spoiler no meio do filme ou ficam gritando só pra irritar os outros, mesmo. Cinema é um lugar para apreciar a arte em um momento de relaxamento e diversão, meus caros. Respeite esse espaço e quem pagou para assistir. 

Se você não sabe ir ao cinema, não vá!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Aquela praça

       Passei por aquela praça que me traz tantas lembranças. Aquela praça onde tantas coisas aconteceram. Aquela praça que sabe mais de mim do que eu mesma.
       Dia, tarde e noite. Choro, riso, angústia e esperança. Criança, adolescente e adulta. Sóbria e alcolizada. Sozinha e acompanhada. Solteira, ficando e namorando. Ela me viu de todas as formas e em cada uma delas eu tive o prazer de estar ali. 
       Vontade de voltar e sentir todos os cheiros de novo. Saudade das companhias e das peripécias. Tanta gente que passou, tanto vinho compartilhado, tantas histórias contadas. Não havia distinção: mendigo, classe média e ricos rebeldes no mesmo lugar trocando palavras. Aprendizados que não se adquirem em casa.
       Lembro como se fosse hoje da tristeza que me bateu, lágrimas na chuva fina, um banco só meu. Um homem passou e me ofereceu um abraço. Abraço sincero, homem simples, algumas palavras de conforto. Estava pronta pra voltar pra casa e encarar o dia seguinte.
       Passar por aquela praça dói. E dói por ver aquelas pessoas fazendo o que eu fazia. Me vejo nelas e penso: o que será que elas vão ser? Eu não me projetava como sou, mas quando não temos planos, a vida toma conta da gente.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Saudade


                Os cigarros e o café estavam na mesinha redonda ao lado do sofá reclinável e ela parada, olhando o movimento da cidade pela janela. Era um dia nublado como ela gostava, passava um filme na televisão e o gato a rodeava a pedido de comida, ou de carinho, como ela preferia acreditar. Carinho, na verdade, que ela precisava. Do amor perdido, talvez, ou dela mesma.
                Saudade. Saudade do que havia sido. Saudade dos seus sonhos. Saudade da sua garra. Saudade dele. Saudade de ouvir doçuras. Saudade de não precisar de ninguém. Saudade dos braços dele. Havia perdido o estímulo e a única coisa que tinha era o gato. Um cigarro depois de alimentá-lo e acariciá-lo, um café, olheiras e a inveja do eterno sono do bichano.
                Tinha planos. Planos de estudo e de carreira, a decoração da casa onde morariam. Iniciariam a academia juntos, a dieta, o francês. Deixou de amá-lo de repente. Não tinha outro, apenas vazio e vazio maior ainda quando o largou. Necessita dele, de dormir de conchinha, um abraço, um cinema, um lanche, uma surpresa, mas não consegue sustentar. Seu coração não pulsa como antes, não há arrepios, só saudade. Saudade do que não aconteceu, saudade de amá-lo, saudade de tudo.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Amargo para nos sentirmos mais doces


O dia estava cinzento, a chuva fina adentrava pela janela do meu quarto e lavava meu rosto. Eu ouvi seus barulhos na cozinha, estava preparando nosso café, “amargo para nos sentirmos mais doces”, ela dizia.
Fiquei parado na porta a observando arrumar a mesa daquele jeito doce que ela fazia. Canecas viradas para a mesma direção, talheres enfileirados, tudo simetricamente organizado. Ela tinha essa mania comum, mas a praticava de maneira singular, cantarolando alguma música que vinha em sua cabeça. Sentei à mesa e nos servi o café. Ficamos em silêncio, o olhar dela estava perdido e eu me perdi com ele.
Em algum momento ela olhou para mim, deu um sorriso e disse “bom dia”. Uma lágrima caiu dos seus olhos e deslizou pela sua pele branca até chegar à boca, onde contornou o leve sorriso. Então ela não mais segurou aquele excesso de sentimento que transbordava pelos olhos e ficou paralisada olhando para mim, deixando seu rosto molhar com suas lágrimas finas como a chuva lá fora. Abracei-lhe e perguntei o que havia acontecido, e ela me respondeu docemente:
-Eu sonhei que você me amava, e me amava tanto.
Nada disse, fiquei a acariciar seus cabelos até o sol aparecer lá fora e dentro dela.

(Texto de minha autoria: dez/2010)